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Quanto custa uma empreiteira e como o preço é formado

Quanto custa uma empreiteira e como o preço é formado

O preço de uma empreiteira é formado por custo direto, encargos sobre a mão de obra e uma taxa que cobre estrutura, risco, tributos e lucro. Não existe percentual único de mercado, e qualquer proposta séria consegue mostrar de onde saiu cada parte desse valor.

  • Encargos sociais sobre a mão de obra horista chegam a dobrar o custo da hora trabalhada.
  • A taxa que remunera a empresa, chamada de BDI, cobre estrutura, seguro, risco, garantia, tributos e lucro.
  • Tributos sobre o faturamento entram no preço: PIS, COFINS e o ISS do município.
  • O CUB e o SINAPI são referências de custo, e não tabela de preço de empreiteira.
  • Cada modelo de contratação forma o preço de um jeito, e comparar entre modelos não faz sentido.
  • Proposta que não abre a composição do preço não pode ser conferida nem negociada.

Quase todo mundo pede orçamento antes de entender o que está sendo orçado. O resultado é uma pilha de propostas com valores distantes e nenhuma base para decidir.

Este guia explica como o preço de uma empreiteira se forma, o que cada componente significa e como ler uma proposta de obra sem depender só do número final.

O que compõe o preço de uma empreiteira

O preço se divide em duas camadas: custo direto e custo indireto. Entender essa separação resolve a maior parte das dúvidas sobre orçamento de obra.

As duas camadas se dividem assim:

  • Custo direto: tudo que é aplicado fisicamente na obra, como mão de obra da equipe, material quando está no contrato, equipamento, ferramenta e transporte de insumo
  • Custo indireto: o que a empresa gasta para existir e tocar aquela obra sem estar dentro da parede, como engenheiro responsável, administração, seguro, contabilidade, tributos e lucro

A separação importa porque cada camada se comporta de um jeito. O custo direto cresce junto com o tamanho da obra, enquanto o custo indireto tem uma parte fixa que pesa mais em obra pequena.

A conta final segue esta lógica:

  1. Levantamento de quantitativos a partir do projeto
  2. Custo direto de cada serviço, com material e mão de obra
  3. Encargos sociais aplicados sobre a mão de obra
  4. Aplicação da taxa que cobre custo indireto, risco e lucro
  5. Tributos sobre o faturamento

Quando um orçamento chega sem essa estrutura, ele não é mais simples. Ele apenas escondeu as etapas. O orçamento analítico mostra item a item, enquanto o orçamento sintético agrupa por etapa e serve para uma visão geral.

Quanto pesa a mão de obra e por que os encargos dobram a conta

Contratar mão de obra custa muito mais que o salário, porque os encargos sociais praticamente dobram o custo da hora do trabalhador horista. Essa é a parte do preço que mais surpreende quem nunca orçou uma obra.

Entram nessa conta, entre outras parcelas:

  • Contribuição previdenciária patronal e FGTS
  • Férias, décimo terceiro e repouso remunerado
  • Aviso prévio e seguro de acidente de trabalho

O Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, o SINAPI, publica essas composições e mantém percentuais distintos para trabalhador horista e mensalista.

A diferença entre as duas categorias é grande, e existe uma razão simples. O horista não recebe nos dias em que não trabalha, então férias, feriados e repouso precisam ser diluídos na hora efetivamente trabalhada.

Duas consequências práticas para quem contrata:

  • Comparar o preço de uma empresa formal com o de uma equipe informal não é comparação de preço, é comparação de risco
  • Uma equipe sem encargos recolhidos joga o passivo trabalhista para frente, e ele costuma cair no colo de quem contratou

A precificação de mão de obra é o ponto onde o barato aparece primeiro e cobra depois.

O que é BDI e por que ele não é lucro

BDI significa Benefícios e Despesas Indiretas, e é o percentual aplicado sobre o custo direto para cobrir tudo que a obra consome fora do canteiro. Chamar BDI de lucro é o erro mais comum na leitura de um orçamento.

O lucro é apenas uma das parcelas. A composição do BDI reúne:

  • Administração central: escritório, engenharia, setor administrativo
  • Seguros e garantia: cobertura de risco e garantia contratual
  • Risco: margem para imprevistos previsíveis do tipo de obra
  • Despesas financeiras: custo do capital entre pagar e receber
  • Tributos: PIS, COFINS e o ISS cobrado pelo município
  • Lucro: a remuneração efetiva da empresa

Os tributos sozinhos já ocupam uma fatia relevante. PIS e COFINS somam 3,65% sobre o faturamento no regime cumulativo, e o ISS varia conforme o município, normalmente entre 2% e 5%.

Existe uma referência pública útil para ordem de grandeza. O Acórdão 2.622 de 2013 do Tribunal de Contas da União estabelece faixas de BDI por tipo de obra, e para edificações trabalha entre 20,34% e 25,00%, do primeiro ao terceiro quartil.

Essa faixa foi construída para obra pública, e obra privada tem outra dinâmica de risco e tributação. Ela serve como parâmetro de sanidade, não como regra: BDI muito abaixo dela costuma indicar que a empresa não colocou risco nem estrutura na conta, e isso reaparece como aditivo depois.

Como cada modelo de contratação forma o preço

Cada modelo forma o preço por um mecanismo diferente, e é por isso que propostas de modelos distintos nunca são comparáveis. O valor muda porque o que está sendo vendido muda.

Modelo Como o preço se forma O que está no valor Onde mora o risco
Empreitada de mão de obra Custo da equipe mais encargos e taxa da empresa Só execução Material fica com você
Empreitada global Custo direto total mais BDI sobre o conjunto Execução e material Empresa absorve a variação
Administração de obra Percentual sobre o custo real da obra Gestão Custo total fica com você

Lendo a tabela na prática: a empreitada de mão de obra apresenta o menor valor de contrato porque não carrega material, e não porque é mais eficiente. O preço fechado da empreitada global embute o risco de alta de insumo, o que o faz parecer caro no papel e previsível na execução.

A taxa de administração segue outra lógica. Como remunera um percentual sobre o custo real, ela só revela o valor final quando a obra termina, e por isso não serve para quem precisa de teto contratado.

Existe um ponto de atenção pouco comentado na administração de obra. O modelo remunera proporcionalmente ao gasto, o que exige confiança e transparência de notas, e funciona melhor com acompanhamento independente. Comparamos os três formatos em detalhe em empreiteira ou construtora.

Quais referências de preço existem no mercado

Existem duas referências públicas de custo no Brasil, e nenhuma delas é uma tabela de preço de empreiteira. Confundir referência de custo com preço de venda gera expectativa irreal.

CUB, o custo unitário básico

O CUB é o indicador mensal de custo por metro quadrado calculado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil de cada estado. O cálculo segue a norma NBR 12721 da ABNT e a Lei 4.591 de 1964, e em Santa Catarina a divulgação acontece até o quinto dia de cada mês.

O indicador é segmentado por finalidade do imóvel, número de pavimentos e padrão construtivo, entre baixo, normal e alto. Consulte sempre o mês corrente, porque o valor muda todo mês.

O que o CUB não cobre é justamente onde muita obra estoura: fundação especial, terraplenagem, muro de arrimo, elevador, projetos, taxas e ligações definitivas ficam fora do índice. Ele é um termômetro de variação de custo, e não um orçamento.

SINAPI, a base de composições

O SINAPI é o Sistema Nacional de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil, mantido pela Caixa Econômica Federal com apoio do IBGE. Ele reúne preços de insumos e composições de serviço, e é obrigatório em obra com recurso federal, conforme a Lei 14.133 de 2021.

Em obra privada, o SINAPI funciona como parâmetro de conferência. Serve para checar se uma composição está fora da curva, e não para definir o preço que a empresa vai praticar.

Para uma referência de quanto sai a obra completa na região, reunimos os números em quanto custa construir uma casa em Florianópolis.

Como ler um orçamento de empreiteira

Um orçamento se lê de trás para frente: primeiro o que está excluído, depois os critérios, e só então o valor. Quem começa pelo número final decide com a informação menos útil da proposta.

Confira estes itens antes de olhar o total:

  1. Lista de exclusões, ou seja, o que explicitamente não está incluído
  2. Quantitativos com unidade e quantidade, e não apenas descrição de serviço
  3. Critério de medição e a periodicidade de pagamento
  4. Regra de reajuste e o índice usado, se o prazo for longo
  5. Regra de aditivo, com quem aprova e como o preço é recomposto
  6. Validade da proposta

Um exemplo hipotético mostra o efeito disso. Duas propostas para a mesma casa chegam com diferença de 18% no valor total. A mais barata não inclui impermeabilização, escavação de fundação nem ligação definitiva de energia, itens que aparecem na lista de exclusões da outra.

O que parecia desconto era escopo menor. A diferença some quando os dois orçamentos passam a descrever a mesma obra. Reunimos os itens que costumam ficar de fora em custos ocultos da obra residencial.

Por que dois orçamentos da mesma obra chegam tão diferentes

Propostas divergem por quatro motivos, e só um deles é margem da empresa. Identificar qual está em jogo evita escolher a proposta errada por preço.

Escopo diferente

A causa mais comum. Uma empresa incluiu o que a outra deixou de fora, e o valor reflete obras diferentes.

Quantitativo diferente

Duas empresas leram o mesmo projeto e chegaram a metragens distintas. Nesse caso, uma das duas errou, e conferir o levantamento quantitativo mostra qual.

Padrão de acabamento diferente

Especificação vaga em projeto permite que cada empresa assuma um padrão, e a diferença de custo entre um revestimento e outro é enorme.

Risco precificado de forma diferente

Empresa que já executou obra parecida no mesmo tipo de terreno consegue precificar risco com mais precisão. Quem nunca fez ou coloca gordura, ou subestima e cobra depois.

Nós da Otech Engenharia atuamos como empreiteira em Florianópolis e na Grande Florianópolis, e a divergência que mais aparece em análise de proposta é escopo, não margem.

Perguntas frequentes

Existe uma tabela de preço de empreiteira?

Não existe tabela oficial de preço de empreiteira. O que existe são referências de custo, como o CUB e o SINAPI, que servem de parâmetro, mas cada empresa forma o próprio preço conforme estrutura, risco e escopo.

Quanto uma empreiteira cobra por metro quadrado?

O valor por metro quadrado depende do padrão, do terreno, do escopo e do modelo de contratação, e por isso um número solto não significa nada. Só faz sentido comparar preço por metro quadrado entre propostas com o mesmo escopo e o mesmo padrão de acabamento.

A taxa de administração substitui o BDI?

Não. São mecanismos diferentes de remuneração: a taxa de administração é um percentual sobre o custo real da obra, enquanto o BDI é aplicado sobre o custo direto orçado em contratos de preço fechado.

Vale a pena pedir desconto no BDI?

Pedir desconto sem entender a composição costuma cortar risco e garantia, e não lucro. O resultado aparece como aditivo no meio da obra, quando a empresa precisa recompor o que tirou da proposta.

Empreiteira pode reajustar o preço durante a obra?

Só se o contrato previr, com índice e periodicidade definidos. Sem cláusula de reajuste, o preço contratado vale, e qualquer alteração precisa passar por aditivo acordado entre as partes.

O preço muda se eu comprar o material?

Muda, porque o valor do contrato passa a cobrir apenas a execução. A economia depende da sua capacidade de comprar bem e de manter o canteiro abastecido, já que equipe parada por falta de material custa dinheiro.

Orçamento de empreiteira costuma ter validade?

Sim, e é uma proteção legítima da empresa diante da variação de preço de insumo. Proposta sem prazo de validade tende a ser revista quando a obra demora a começar.

O critério que deve orientar a leitura do preço

Quanto custa uma empreiteira é uma pergunta sem resposta única, porque o preço depende do escopo contratado, do modelo escolhido e do risco que cada lado assume. O que existe é uma composição verificável, e é ela que separa proposta séria de chute.

O critério prático é preferir a proposta que você consegue conferir. Escopo listado, quantitativo aberto, exclusões declaradas e critério de medição definido valem mais do que um total menor sem explicação.

Se você está comparando propostas e quer entender o que cada valor realmente cobre, veja como funciona o nosso serviço de empreiteira em Florianópolis, com escopo detalhado e medição documentada por etapa.

Fechado o preço, o passo seguinte é colocar tudo no papel. Reunimos as cláusulas essenciais em contrato com empreiteira.

Orçar reforma é mais difícil do que orçar obra nova, e o motivo está em reforma com empreiteira.

Othávio Augusto Amorim