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Projeto estrutural: o que é, o que inclui e como contratar

projeto de estruturas

Projeto estrutural é o conjunto de cálculos e desenhos que define como a edificação vai se sustentar: onde ficam pilares e vigas, que tipo de laje usar, como é a fundação e quanto de aço e concreto cada peça leva. É ele que transforma a planta da arquitetura em algo que fica de pé, com responsabilidade técnica registrada.

  • Sem projeto estrutural, a estrutura é decidida no canteiro por hábito. O resultado não tem previsibilidade de custo nem responsabilidade de ninguém.
  • Ele precisa ficar pronto antes da primeira concretagem, e não durante a obra.
  • A fundação só pode ser definida depois da sondagem do terreno. Começar sem esse dado é a origem mais comum de recalque.
  • Em Florianópolis e no litoral, dois fatores entram no cálculo além das cargas: solo que varia entre lotes vizinhos e agressividade do ambiente.
  • Projeto bem-feito costuma reduzir o consumo de material, porque dimensiona pelo necessário em vez do exagero por segurança.
  • A entrega inclui a ART, que é o documento que vincula um engenheiro àquele cálculo.

A maior parte do conteúdo sobre projeto estrutural é escrita para estudante de engenharia. Quem está construindo não precisa aprender a calcular: precisa saber o que contratar, o que exigir na entrega e o que acontece quando essa etapa é pulada.

Este guia trata disso, com o recorte de quem projeta em Florianópolis e na Grande Florianópolis.

O que é um projeto estrutural e o que ele inclui

É o documento técnico que define a estrutura inteira da edificação, peça por peça. Ele parte da arquitetura aprovada e responde a uma pergunta objetiva: como essa forma se sustenta com segurança e ao menor custo possível.

A entrega padrão de um projeto estrutural tem quatro conjuntos:

  1. Plantas de fôrma, que mostram a posição e a dimensão de cada pilar, viga e laje.
  2. Plantas de armadura, com bitola, quantidade, posição e comprimento de cada barra de aço.
  3. Detalhamento da fundação, definido a partir da sondagem do terreno.
  4. Memória de cálculo e ART, que registram como se chegou ao resultado e quem responde por ele.

O que costuma faltar em entrega incompleta é o terceiro e o quarto item. Projeto sem detalhamento de fundação joga a decisão mais cara para o canteiro, e projeto sem ART não tem responsabilidade técnica associada.

Quais etapas o projeto percorre

São quatro, e elas acontecem nesta ordem porque cada uma depende da anterior.

1. Concepção e lançamento

É a decisão de onde ficam os pilares, como as vigas se organizam e que tipo de laje será usado. Parece a etapa mais simples e é a que mais influencia custo e prazo: modulação e posição de pilar determinam consumo de material em todos os pavimentos.

Aqui também acontece a compatibilização com a arquitetura. Cada pilar suprimido para liberar um vão tem um custo estrutural correspondente, e essa conversa é barata agora e caríssima depois da obra começar.

2. Análise estrutural

A análise calcula os esforços que percorrem a estrutura: quanto cada viga flexiona, quanto cada pilar comprime, como o vento e o peso próprio se distribuem até a fundação. É a etapa em que o modelo é montado e simulado antes de existir.

Software de cálculo é ferramenta, e não substituto do engenheiro. Ele resolve o sistema com rapidez, mas quem define as condições de apoio, as cargas consideradas e o que é resultado plausível continua sendo pessoa. Modelo mal montado devolve número preciso e errado.

3. Dimensionamento

Com os esforços conhecidos, cada peça recebe seção e armadura. É onde entram a resistência do concreto, a bitola do aço e o cobrimento da armadura, que é a camada de concreto que protege o ferro da corrosão.

4. Detalhamento

O cálculo vira desenho executável: posição exata de cada barra, dobras, emendas e comprimento de ancoragem. Projeto que para no dimensionamento e não detalha transfere para o armador decisões que deveriam estar resolvidas.

Como o material da estrutura é escolhido

A escolha segue o vão a vencer, o tipo de uso e o ambiente. Não existe material melhor em abstrato.

Sistema Onde costuma ser a melhor escolha Ponto de atenção
Concreto armado Residência e prédio de pequeno e médio porte, piscina, contenção Exige cura e controle de qualidade do concreto em obra
Aço estrutural Grandes vãos livres, galpão, mezanino, obra com prazo curto Custo de proteção contra corrosão e contra fogo
Alvenaria estrutural Edificação repetitiva, com poucas alterações de planta Parede vira estrutura: reforma futura fica limitada
Estrutura mista Quando cada material resolve melhor uma parte da obra Exige detalhe cuidadoso na transição entre sistemas

A leitura da tabela é que o vão costuma decidir: quanto maior a distância sem apoio, mais o aço compensa. Detalhamos as diferenças em materiais mais utilizados na engenharia estrutural.

O que muda em Florianópolis e no litoral

Dois fatores entram no cálculo aqui que não entram em cidade de interior.

O primeiro é o solo. Na ilha e na Grande Florianópolis, a capacidade do terreno varia bastante em curta distância, e há regiões de aterro e de solo mole. Sondagem no próprio lote deixa de ser formalidade e vira dado de projeto, como tratamos em técnicas de fortalecimento de solos.

O segundo é a agressividade do ambiente. Obra próxima ao mar exige classe de agressividade mais alta, o que muda a resistência do concreto especificada e aumenta o cobrimento da armadura. É decisão barata no projeto e correção caríssima depois, porque corrosão de armadura só aparece anos mais tarde. O assunto está detalhado em casa na praia, maresia e corrosão.

Há ainda o terreno em declive, comum em boa parte dos bairros da ilha, que costuma exigir contenção integrada à fundação em vez de duas obras separadas disputando o mesmo espaço.

Como o projeto reduz custo sem reduzir segurança

Reduzindo o exagero. Sem cálculo, a estrutura é executada com margem de segurança por intuição, e intuição erra para os dois lados: sobra aço onde não precisa e falta onde precisa.

A otimização acontece porque laje, viga, pilar e fundação formam um sistema. Aliviar a laje muda o esforço na viga, que muda a carga no pilar, que muda a fundação. Dimensionar em conjunto costuma reduzir consumo de material sem tocar na segurança, e isso aparece direto no orçamento.

Vale a ressalva honesta: economia de projeto tem limite, e ele é dado pela norma. Projeto que promete corte muito acima do usual normalmente está reduzindo margem, e não desperdício.

Quais normas regem o projeto estrutural no Brasil

As principais são da ABNT e cada uma cobre uma parte. A NBR 6118 trata de estruturas de concreto, a NBR 8800 de estruturas de aço, a NBR 6120 das cargas para o cálculo, a NBR 6123 das forças devidas ao vento e a NBR 6122 de fundações.

Há ainda a NBR 15575, de desempenho, que trata a edificação pelo resultado esperado ao longo da vida útil, e não apenas pelo método construtivo.

Norma não é recomendação: é o parâmetro pelo qual o projeto é avaliado tecnicamente e, se um dia for o caso, judicialmente. Aprofundamos em normas e regulamentações em engenharia estrutural.

Quais erros mais aparecem quando o projeto é pulado

O primeiro é começar a fundação sem sondagem. É o erro que gera recalque e trinca, e o único da lista que costuma exigir reforço estrutural para corrigir.

O segundo é alterar a arquitetura depois da estrutura calculada. Tirar um pilar ou mudar um vão durante a obra invalida o cálculo daquele trecho, e o ajuste feito no canteiro raramente volta para o projeto.

O terceiro é trocar material sem consultar quem calculou. Mudança de bloco, de traço do concreto ou de bitola do aço altera a capacidade da peça, e não dá para corrigir depois de concretado.

O quarto é não ter ninguém verificando a execução. Projeto correto executado errado dá no mesmo, e é por isso que tratamos acompanhamento de obra como parte do trabalho, e não como serviço à parte.

Perguntas frequentes sobre projeto estrutural

Quanto custa um projeto estrutural?

Depende da área, do número de pavimentos e da complexidade da arquitetura. O que dá para afirmar é que o projeto costuma custar uma fração pequena da obra e devolver esse valor em economia de material e em erro evitado.

Preciso de projeto estrutural para uma casa térrea?

Precisa. Térrea tem fundação mais leve, o que torna o terreno ainda mais determinante no resultado. É também onde mais se vê estrutura definida por hábito, e onde a trinca por recalque aparece com frequência.

O projeto arquitetônico já não resolve?

Não. A arquitetura define forma, uso e distribuição; o projeto estrutural define como aquilo se sustenta. São documentos diferentes, com responsabilidades técnicas diferentes, e um não substitui o outro.

Quanto tempo leva para ficar pronto?

Varia com o porte e depende de dois insumos externos: a arquitetura fechada e a sondagem do terreno. Sem esses dois, o prazo não começa a contar, porque o cálculo precisa deles para existir.

Posso reaproveitar um projeto de outra obra?

Não. O projeto responde àquele terreno, àquela arquitetura e àquelas cargas. Reaproveitar significa herdar premissas que não valem no seu lote, e a mais crítica delas é a fundação.

O que é a ART e por que ela importa?

É a Anotação de Responsabilidade Técnica, o registro no CREA que vincula um engenheiro àquele projeto. Sem ela, não há responsável formal pelo cálculo, e ela costuma ser exigida em aprovação e em financiamento.

Por onde começar

O critério que ordena tudo é a sequência: arquitetura definida, sondagem do terreno feita, e só então o projeto estrutural. Inverter essa ordem é o que produz a maior parte do retrabalho e do custo não previsto em obra.

Nós da Otech Engenharia desenvolvemos projeto estrutural em Florianópolis e na Grande Florianópolis, com ART e detalhamento executável, e acompanhamos a execução quando o cliente quer a garantia de que o que foi calculado é o que será construído. Veja projetos que já executamos e fale com a nossa equipe.

Termos deste artigo no nosso guia

Othávio Augusto Amorim